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10 mar 2021

Dolce & Gabbana e Donatella Versace falam sobre moda plus size

Depois que modelos plus size desfilaram pela primeira vez na passarela da Versace durante os desfiles de verão 2021 do ano passado, a marca italiana contratou Precious Lee para uma campanha recente. Chanel também contou com sua primeira modelo plus-size em mais de uma década, quando Jill Kortleve cruzou a passarela da marca em março de 2020, enquanto Kortleve e Paloma Elsesser se tornaram as primeiras modelos plus-size a desfilar para a Fendi em fevereiro do ano passado. Mas o aumento da representação em campanhas publicitárias e nas passarelas não correspondeu à presença do tamanho grande nas lojas.

Isso pode estar começando a mudar, já que as marcas de luxo italianas estão entre as que finalmente adotaram o tamanho plus size. Donatella Versace diz que está considerando ampliar a grade da marca, em uma entrevista exclusiva à Vogue Business. “Eu só posso falar pela Versace, é claro, e posso dizer que você verá mais inclusão de tamanhos”, disse por e-mail, sem compartilhar detalhes sobre um cronograma ou quais tamanhos adicionais podem ser produzidos para o varejo. “Minha esperança é que estejamos nos tornando mais abertos à inclusão e que possamos melhor quanto a isso.” Dolce & Gabbana, que se tornou a primeira casa histórica de luxo a oferecer peças de ready-to-wear acima do tamanho 50 quando subiu para 52 em 2019, diz que a resposta tem sido positiva.

Depois de anos criando roupas personalizadas em uma ampla gama de tamanhos, “decidimos dar consistência a este trabalho e oficialmente expandir a oferta de nossas coleções”, disse Stefano Gabbana em entrevista à Vogue Business. “Nunca observamos os padrões de moda e beleza. O que sempre nos interessou foi vestir mulheres autênticas e bonitas, sem obedecer a nenhuma regra.” Dolce & Gabbana não divulga números de vendas, mas a 11 Honoré, um varejista online especializado em roupas de grife plus size, observou uma taxa de venda de 70 e 80% para as duas primeiras coleções da etiqueta, respectivamente.

Versace (Foto: Reprodução)

Há um longo caminho a percorrer para modificar o diferencial do luxo mais amplo entre a representação nos desfiles da passarela e as roupas plus size nas lojas. Outras marcas estão entrando no mercado, embora sejam, em sua maioria, grifes independentes, como Mary Katrantzou e Diane von Furstenberg. Carolina Herrera está experimentando tamanhos mais inclusivos, enquanto peças de estilistas como Adam Lippes e Christian Siriano são vendidas na 11 Honoré, que foi lançada em 2016 com 15 marcas e hoje traz mais de 80 nos tamanhos 46 ao 56. “Estamos abrindo um mercado ao criar produtos para esse mercado,” disse o fundador e CEO Patrick Herning. “Estamos criando um espaço para mulheres que antes não o tinham.”

Mas as casas de luxo high-profile são reticentes, mesmo quando as pesquisas sugerem que a Geração Z exige essa conduta e há um claro case de negócio, dado que mais de 65% das mulheres americanas usam pelo menos o tamanho 46. A entrada da Dolce & Gabbana no mercado plus size sinaliza a demanda de ambos os clientes e também a capacidade do estilista: muitas marcas de luxo já estão acostumadas a criar peças únicas para clientes em uma variedade de tamanhos. A atual linha ready-to-wear da Versace está disponível até o tamanho IT 52 no seu e-commerce e IT 50 em suas lojas (equivalente a 50 e 48, respectivamente). A marca diz que o tamanho é baseado no feedback do cliente e itens personalizados em tamanho adicional estão disponíveis, mas apenas mediante solicitação, para uma seleção. Num momento em que o setor varejista está sofrendo, é preciso questionar se esse é o melhor modelo de negócio.

As consequências da pandemia, que fizeram com que as vendas de luxo caíssem de 25 a 30% em 2020, de acordo com a Bain, poderiam abrir uma oportunidade para que mais marcas atendessem à necessidade de tamanhos grandes. Embora os custos de produção sejam normalmente mais altos, há dinheiro a ser feito neste setor mal atendido. As fast fashion e varejistas de massa já estão se beneficiando. A H&M, que teve lucros recordes em 2020, reformulou os tamanhos em 2019, aumentando para 52/54 e estendendo sua gama plus size para 62. De acordo com a plataforma de inteligência de e-commerce Pipecandy, a porcentagem dos itens plus size que foram vendidos em 2020 aumentaram 15% ano após ano, algo que o pesquisador Sujay Seetharaman vê como um sinal de crescimento positivo do mercado, especialmente durante um período de declínio geral da indústria da moda.

“A próxima fase importante e necessária de crescimento para esta indústria é tratar este cliente igualmente com respeito,” diz Herning. A influenciadora Abby Bible, de Nova York, concorda: “Infelizmente, muitos designers de luxo excluem esse mercado porque pensam que todos vivemos em corpos temporários.” Bible, que colaborou com várias marcas premium que oferecem tamanhos grandes, se pergunta por que as grifes não entram neste segmento, citando o poder de compra e a lealdade dos clientes.

Fazer esse investimento na comunidade plus size agora pode levar marcas ao sucesso à medida que uma geração mais jovem ganha poder de compra. “A Geração Z está especificamente responsabilizando as marcas,” disse Seetharaman. “Em nossa pesquisa, descobrimos que o consumidor dessa geração se preocupa com os movimentos; eles ficarão do lado dos consumidores plus size, mesmo que eles próprios não sejam, e esperamos que essa atitude chegue aos outros consumidores.”

FONTE: Vogue/Globo