SÃO PAULO – Os três trimestres seguidos de atividade econômica praticamente estagnada já tiveram reflexo sobre a inflação neste ano. A economia mais fraca, dizem analistas, moderou os repasses de preços nos serviços, grupo que responde à demanda doméstica e que vem cedendo lenta e gradualmente mês a mês. A conjuntura mais desfavorável limitou ainda o espaço para que a escalada do dólar resultasse em alta disseminada nas prateleiras, ao lado da atividade global anêmica, que desvalorizou as commodities.
Após a surpresa negativa com o primeiro trimestre, quando a economia avançou apenas 0,2% sobre o trimestre anterior, feito o ajuste sazonal, houve nova rodada de revisões nas estimativas para a alta do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012. A percepção é que o crescimento não passará da faixa entre 2% e 2,5% ? abaixo, portanto, dos 2,7% do ano passado. O pessimismo com a evolução da economia, por outro lado, torna ainda mais tranquilo o cenário inflacionário e deixa o Banco Central mais à vontade para cortar os juros.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) surpreendeu o mercado ao desacelerar de 0,64% para 0,36% entre abril e maio, com taxas menores em seis dos nove grupos pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O esperado era alta de 0,43%, segundo média de projeções de 11 instituições ouvidas pelo Valor Data. O arrefecimento partiu de movimentos que já estavam na conta ? como, por exemplo, uma descompressão nos combustíveis após a entrada da safra de cana-de-açúcar ? mas também chamou atenção porque veio acompanhado de nova perda de fôlego nos serviços.
Os preços no grupo passaram de 0,76% para 0,21% entre abril e maio. A variação foi puxada por empregado doméstico, que, com a saída do impacto do aumento do mínimo, recuou de 1,86% para 0,66%. Mas outros serviços também subiram menos, com destaque para os pessoais, cuja alta diminuiu de 1,47% para 0,50% no período, segundo as contas de Fabio Romão, da LCA Consultores. Em maio do ano passado, a elevação nesse subgrupo foi de 1%.
O economista destaca que, mesmo com o reajuste de mais de 14% do salário mínimo e inflação de 6,5% no ano passado como indexadora dos preços, a alta acumulada de janeiro a maio pelos serviços pessoais neste ano é a mesma do ano passado: 5,1%. ?Essa é uma tendência que pode dar um diferencial para baixo na inflação ao fim do ano?, diz Romão, que projeta aumento de 4,8% para o IPCA em 2012.
Nos primeiros cinco meses do ano, a inflação de serviços acumula alta de 3,8%, mais de um ponto percentual abaixo dos 4,9% registrados até maio de 2011. A taxa em 12 meses do grupo também vem perdendo fôlego, embora continue acima do IPCA. De janeiro para maio, a inflação geral nessa medida recuou de 6,2% para 4,99%, menor taxa desde setembro de 2010. Já os preços de serviços cederam de 9,2% para 7,59%.
Para Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, os sinais de atividade mais fraca também estão no recuo da inflação nos últimos 12 meses, que, em sua opinião, está em trajetória de desaceleração mais rápida do que o previsto. Após o resultado de maio, Vale cortou de 5,3% para 5% sua projeção para a alta do IPCA em 2012, revisão alinhada com a expectativa de crescimento fraco para o PIB, de 2,5%, no máximo. ?Há dificuldade de crescer 2% est
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