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17 abr 2015

Moda brasileira retorna às raízes no segundo dia de SPFW

Desfile teve coleções da Paula Raia, Osklen e Água de Coco apresentadas nesta terça-feira

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Depois de uma cena dominada por tecidos tecnológicos e looks esportivos, os desfiles do segundo dia da São Paulo Fashion Week destacaram as inspirações étnicas vindas de tribos indígenas. O cru e o branco dominaram as passarelas nesta terça-feira. A estilista Paula Raia usou esse tom em seus 22 looks, que surgiram embalados por uma trilha sonora com o canto dos pássaros e uma percussão que remetia aos sons da floresta. “Em um exercício de modelagem respeitável, Paula apresentou variações de longos sobre o mesmo tema: o alto artesanato em tecidos crus e neutros. Franjas, rendas, redes de pesca, telas e corais feltrados foram usados nos modelos que eram apresentados por modelos lânguidas, quase sem maquiagem, em uma espécie de ode à natureza, acredita a editora de moda Regina Guerreiro.

Já ponto de partida da Osklen foi o povo Ashaninka, uma tribo do estado do Acre, de origem peruana. A vibe boêmia, com saias esvoaçantes, brincões, batas e estampas gráficas, tem tudo a ver com o clima da estação. O estilista Oskar Metsavaht mixou simbolismos indígenas na estampa gráfica, com penas gigantes estilizadas, à modelagem fluida e relaxada, característica da marca.”Busquei fazer uma síntese. Poucos looks, poucos tecidos e poucas cores”, afirma Oskar que montou o desfile em uma galeria de arte na Vila Madalena para poucos convidados. Na coleção, privilegiou apenas três cores (branco, preto e vermelho) e focou em tecidos naturais ou reciclados, além da pele de pirarucu como matéria-prima para bolsas e acessórios.

Os biquínis da Água de Coco traziam detalhes de rendas feitas por artesãs do Ceará.”A esperança está pequena, a água está pouca, a gente está em busca de algo autenticamente brasileiro, da essência das coisas e de um jeito mais autêntico de ser”, avalia Regina Guerreiro. Foi esse o caminho escolhido por Liana Thomaz, estilista da marca de moda praia Água de Coco, que compôs biquínis e maiôs com detalhes de rendas bilro, rechilieu, labirinto, renascença e filé feitas por artesãs do interior do Ceará, estado natal da grife. “As rendeiras são mulheres velhinhas, de mais de 80 anos, que sentem dores e têm um tempo próprio”, disse Liana. Além disso, o dia foi marcado pelo lançamento da parceria entre o Museu Afro Brasil e os organizadores da semana.