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21 nov 2019

Marcas investem em roupas que reduzem o calor da menopausa

O fim do período fértil feminino, chamado menopausa, é marcado por alguns desconfortos. As ondas de calor, ou fogachos, estão entre as principais queixas. Não é à toa que a ideia de fazer roupas que ajudam a combater essas sensações seja tema de extrema relevância tanto pra moda quanto para o universo feminino. Afinal, a menopausa costuma surgir entre os 45 e 50 anos, mas pode vir antes dos 40, de forma precoce. Algumas marcas estão se movimentando para criar roupas com tecnologia que ameniza a sensação incômoda. Entre elas, estão as europeias Become, Cucumber Clothing e Fifty One Apparel.

Vem comigo conhecer!

Become

A etiqueta britânica Become foi lançada em 2016 e oferece uma gama de opções para mulheres de todas as idades, especialmente aquelas que vivenciam a menopausa. Segundo informações do site oficial, as roupas diminuem o impacto das ondas de calor e dos suores noturnos decorrentes dessa fase da vida.

Batizado Anti-Flush, o tecido absorve a temperatura da pele no calor e a devolve ao corpo quando está frio, garante a marca. A mistura de “fios complexos” tem uma textura sedosa e leve. Para garantir ainda mais conforto, as peças não têm costura. O catálogo inclui camisolas, roupas íntimas, camisetas, entre outros itens. Segundo o jornal The Guardian, as vendas aumentaram 213% em 2019.

“Muitas vezes, a menopausa é vista como um momento em que as mulheres relaxam ou quando deixam de ser vistas como sexy ou descoladas. A Become pensa diferente”, defende a etiqueta.

Outro diferencial é a tecnologia antiodor, que impede a ação das bactérias por meio de uma camada antimicrobiana. Os produtos são testados pelos institutos alemães Hohenstein e Climate, ambos voltados para estudos sobre umidade e vestuário. O melhor? O e-commerce da Become entrega no Brasil.

Cucumber Clothing

Lançada em setembro de 2017 por Nancy Zeffman e Eileen Willett, a Cucumber Clothing tem como objetivo garantir o frescor dia e noite. No caso desta outra marca inglesa, a tecnologia que controla o calor é a 37.5. O número que batiza a coleção voltada para a menopausa representa a temperatura central ideal do corpo em graus Celsius.

label explica que o tecido tem minerais vulcânicos que ajudam no processo. Quando vem o calor, as partículas ativas do material eliminam o suor ainda na forma de vapor, antes de se transformar em líquido, permitindo que a pele esfrie. Já quando vem o frio, as mesmas partículas são responsáveis por reter a temperatura do corpo, ajudando a aquecê-lo. Sustentável, ele permite que a pele respire. Para completar, é lavável, não amassa e seca rapidamente.

A marca é uma pequena startup que fabrica 100% das peças na Inglaterra e prioriza acabamentos, embalagens e extras produzidos no Reino Unido. A única exceção é o material das roupas, importado devido à falta de opções locais que se encaixem nos padrões da empresa.

Fifty One Apparel

Fundada por Louise Nicholson, a história da Fifty One Apparel começou na Islândia. Mesmo morando em uma região fria, uma amiga da empresária usava apenas jeans e camiseta, pois sentia calor e transpirava. Foi quando surgiu a ideia de criar uma coleção de vestuário adaptável para o fogacho.

Nas roupas, a marca utiliza uma tecnologia desenvolvida pela Nasa que se chama Outlast, feita para proteger os astronautas das variações de temperatura.

O tecido usa fios celulósicos e funciona de forma parecida com os dois anteriores, reagindo de acordo com as mudanças de temperatura para equilibrá-la.

Com selo de aprovação Certified Space Technology, o material usa um sistema de “microencapsulamento”. Essa tecnologia pode ser usada de diferentes formas, incluindo calçados e acessórios. No Brasil, já é comercializada para outras finalidades e é trabalhada pela empresa de tecelagem Santaconstancia.

Mais sobre o assunto

A menopausa é a interrupção permanente das menstruações. Acontece, normalmente, entre os 45 e 50 anos. Para anunciar a sua chegada, a mulher vive um período chamado de climatério, quando o organismo passa por transformações devido à redução progressiva de alguns hormônios. Se você é adepta à série Supermães, da Netflix, sabe do que se trata.

Na fase inicial, a fisiologia feminina passa por alterações, incluindo as ondas de calor, chamadas de “fogacho”. “Esses sintomas vasomotores são sensações transitórias súbitas que se iniciam na parte superior do pescoço e sobem em direção à face e a cabeça. Duram de alguns segundos a vários minutos, e podem estar associados à transpiração, muitas vezes intensa”, explica a ginecologista e obstetra Adriana Gualda Garrido.

Os sintomas não param por aí. De acordo com a médica Karina Tafner, também especialista na área, o frio vem depois do calor. “Os calafrios ocorrem por que há uma grande perda de calor com rápida queda da temperatura corporal, causando uma leve hipotermia”, frisa.

Relato

A manicure Meire de Sousa Santos, de 60 anos, chegou à menopausa mais cedo. Aos 39 anos, precisou retirar o útero e começou a fazer reposição hormonal, o que ajudou a reduzir as ondas de calor. “Se eu parar, vem tudo de novo, é horrível. Não é um calor constante, ele vem e vai, é mais na cabeça, do ombro para cima. Você fica suada, é muito chato”, reclama.

“Não adianta a roupa ser de alça ou se estou no ar condicionado. Sinto do mesmo jeito. O rosto fica todo vermelho. Quando passa o calor, sinto frio”, relata. Para ela, é um alívio saber que já existem roupas que ajudam a reduzir essa sensação.

A moda caminha para diminuir o desconforto do fogacho, mas o tratamento mais recomendado são as atividades físicas, controle do estresse, orientações nutricionais e acupuntura. A reposição hormonal é um opção, mas ainda surge como tema polêmico entre os médicos mais conservadores.

FONTE: Metrópoles

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