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27 set 2018

Jeans moldam-se ao consumidor

Apesar do impacto da tendência athleisure nas vendas de jeans, os números mais recentes mostram que a categoria está a crescer em valor, graças à capacidade de inovação e adaptação dos produtores, que procuram responder às novas necessidades dos consumidores.

De acordo com o estudo “Spotlight on Jeans: Denim Bounces Back” do Euromonitor International, as vendas de jeans em valor registaram um crescimento de 3,4% entre 2012 e 2017, enquanto o vestuário de desporto teve um aumento de 6%, provando a vontade dos consumidores de comprar vestuário de desporto e complementarem os seus hábitos saudáveis. À medida que os consumidores ficam mais preocupados com a saúde, o sportswear está a ser incluído nas opções de vestuário para o dia a dia. Nesse sentido, e num esforço para concorrer com o athleisure, os produtores de jeans estão a inovar e a adaptarem-se aos desejos dos consumidores.

 

Boa performance

Apesar do impacto que o athleisure teve no jeanswear, a categoria continuou a registar um crescimento absoluto em valor no período entre 2012 e 2017. Os jeans tradicionais tiveram o maior crescimento (5%, para mais de 6 mil milhões de euros) devido à sua natureza informal e atratividade junto dos consumidores, tanto mulheres como homens – os jeans são entendidos como artigos obrigatórios, resultando num ambiente competitivo maduro.

«Há um elevado grau de sobreposição entre diferentes segmentos de preço, por causa dos descontos frequentes e disponibilidade online generalizada de marcas premium e super premium a preços mais baixos. Contudo, a performance positiva nas diferentes categorias de jeans está relacionada com os múltiplos modelos, formas, cores e materiais que os retalhistas de jeans e da moda rápida estão a desenvolver e a colocar no mercado», afirma Lorna Hennelly, analista de beleza e moda do Euromonitor International, num artigo publicado pelo just-style.com.

 

 

Inovação para combater mudanças

O ambiente de mercado evoluiu para os jeans entre 2012 e 2017. A Levi’s mantém a primeira posição apesar dos retalhistas da fast fashion, como a Zara e a H&M, estarem a ganhar terreno. A Levi’s, com uma base de consumidores mais alargada, consegue, segundo Lorna Hennelly, «definir a indústria» e estar presente com estratégias de marketing contínuas e uma forte inovação, procurando processos de produção mais sustentáveis – tudo para tentar responder aos novos valores dos consumidores.

A Zara segue imediatamente atrás da Levi’s – entre 2015 e 2017 ultrapassou a Lee, a Wrangler e a H&M – tendo melhorado a sua posição nestes últimos anos, com um crescimento de 8%, equivalente a um aumento de 784 milhões de dólares (cerca de 667 milhões de euros) em termos de valores absolutos. Coleções renovadas constantemente, preços acessíveis e uma estratégia omnicanal efetiva têm permitido crescer à marca do grupo Inditex.

A Uniqlo conseguiu saltar para a sétima posição graças «à inovação e a uma oferta de jeans mais versáteis», destaca a analista de beleza e moda do Euromonitor International. A mais recente coleção de jeans combina algodão, poliéster e elastano para criar um denim confortável e com estilo.

Contudo, sublinha Lorna Hennelly, empresas como a Yoga Jeans e a Hiut Denim «estão a entrar na febre dos jeans ao oferecerem novos valores para os consumidores que procuram algo sustentável e ético. É esperado que estes players possam alterar o ambiente competitivo tradicional», refere.

Híbridos ganham terreno

As vendas em valor de jeans deverão atingir 105 mil milhões de dólares até 2022, com uma taxa de crescimento anual composta de 2% entre 2017 e 2022. O vestuário inspirado no desporto, contudo, apesar de dever registar um crescimento mais elevado de 3,5%, vai sentir um declínio entre 2017 e 2022.

O athleisure já teve um grande impacto nos consumidores e nas estratégias das empresas e deverá manter-se forte e cada vez mais sofisticado até 2022. «Para um crescimento mais estável, as empresas de jeans vão combater esta tendência a inovar e a criar mais produtos de denim sustentáveis e funcionais, usando a inovação de produto para voltar a ganhar a preferência dos consumidores habituados ao conforto do sportswear», aponta Hennelly.

A analista de beleza e moda do Euromonitor International indica que nesta investida, as empresas de jeans podem cada vez mais optar por se direcionar para os homens e para lançar produtos unissexo, já que os jeans para homem deverão ter uma performance de vendas melhor do que os de senhora no período em análise, em parte porque o mercado masculino é menos afetado pela adoção generalizada de leggings – que ganharam protagonismo no mercado de senhora impulsionados pelo athleisure. Além disso, refere, alguns designs e modelos já muito presentes nos jeans de senhora estão agora a ganhar popularidade entre os homens, como é o caso dos skinny jeans.

«Independentemente do género, encontrar o modelo perfeito e permitir que os consumidores se expressem através da forma, cor, matérias-primas e lavagem dos seus jeans será cada vez mais essencial. Os novos processos de produção vão permitir às empresas de denim encontrar novos elementos para criar novos designs, cores e texturas, acrescentando algum dinamismo», conclui Lorna Hennelly.

Fonte: PortugalTextil 

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