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22 out 2018

Índice de Viabilidade do Vestuário – Outubro de 2018

O País está em compasso de espera. Decisões importantes de famílias (consumidores), empresas e mesmo de governos estão à espera do desfecho das eleições, sobretudo presidenciais. Nunca o cenário foi de tanta incerteza e de candidaturas tão opostas, como o atual. A única certeza é a de quem venha a vencer, administrará um Brasil ainda mais dividido do que aquele que saiu das urnas no pleito passado. As implicações dessa espera – que parece não ter fim – são sentidas por todos, inclusive pela indústria.

A indústria do vestuário paulista também sofre os efeitos dessa paralisia. Os números vinham se recuperando, até maio/18. Eis que a greve dos caminhoneiros veio e retirou ao menos 0,5 ponto percentual do PIB brasileiro. De lá para cá, nada mais foi capaz de trazer bom humor aos agentes econômicos. Ademais, os custos de produção subiram e continuam pressionados. Impossível repassar esses aumentos.

No que se refere ao IVV – Índice de Viabilidade do Vestuário – do mês de outubro/18, os próximos meses devem trazer alguma pequena retomada ao ambiente de negócios. O IVV-SP, ficou em 58,3 e, com isso, revela que a produção industrial permanecerá baixa, nas próximas pesquisas a serem divulgadas pelo IBGE (que tem dados até agosto apenas).  No ano de 2017, em outubro, o IVV-SP estava em 72,4. Vale sublinhar, a base da série é o ano de 2010=100, o que mostra o quanto o ambiente de negócios piorou, sobretudo depois do escândalo JBS (maio/17).

Importante lembrar, o IVV-SP agrupa as tendências de variáveis que impactam na competitividade da indústria de vestuário paulista. Assim, números menores significam um ambiente menos amigável à atividade produtiva de vestuário no Estado de São Paulo. Conforme aponta o gráfico – com projeção até dezembro de 2018 – somente depois de passadas as eleições – haverá menor incerteza e, portanto, alguma retomada das vendas e da produção, consequentemente.

Aliás, alguma recuperação não deve ser muito difícil, dado o quadro ruim atual. Apenas para exemplificar, o emprego no setor têxtil e de confecção paulista, no acumulado até agosto/18 (último dado disponível), registra demissão de 3.459 trabalhadores, com carteira assinada. No ano passado, no mesmo intervalo de tempo, o setor havia gerado 5.660 novas vagas. Dessa forma, melhorar diante desse cenário não é tarefa muito complexa.

Outros aspectos corroboram a expectativa de um ambiente mais amigável à produção de vestuário, em São Paulo e no Brasil. Sejam: i) a forte desaceleração no ritmo de importação de vestuário, fruto de um real depreciado; e ii) a necessidade de geração de empregos que qualquer governo eleito deverá priorizar, uma vez que emprego, juntamente com o tema segurança e combate à corrupção, são demandas de destaque advindas das urnas.

Por fim, a trajetória declinante do IVV-SP, desde 2016, revela as dificuldades que o setor vem enfrentando ao longo desses meses. Contudo, as projeções levam a inferir que o ambiente de negócios, no curto prazo, melhore. Já a longo prazo, as variáveis são muitas. Porém, a maior ameaça para o setor vem dos rumores de uma abertura comercial unilateral, fora de acordos comerciais, cuja “gestação” está adiantada em alguns Ministérios em Brasília e que pode encontrar o respaldo necessário em políticas econômicas mais liberalizantes. Tema que requer toda a vigilância do setor.

MSc. Haroldo SilvaMembro do Corecon-SP

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