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27 nov 2019

Boletim Mensal – Comércio Varejista – Setembro/2019

O IBGE divulgou as informações relativas à sua Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), com dados de setembro de 2019. Para o comércio de Tecidos, Vestuário e Calçados não há nada a ser comemorado, lamentavelmente. Com isso, sofre também a indústria fornecedora desse ramo do varejo.

De acordo com a PMC, as vendas de tecidos, vestuário e calçados, de setembro de 2019 ficaram, no Brasil, 1,8% abaixo do que no mesmo mês de 2018. Vale lembra que 2018 foi um ano em que o PIB cresceu apenas 1,1%. Portanto, a base da comparação já é baixa. Com isso, no acumulado do ano, o País teve as vendas de tecidos, vestuário e calçados recuando 0,3%, com alta apenas quando se avaliam os últimos 12 meses até setembro de 2019, diante de idêntico intervalo antecedente.

Em relação ao Estado de São Paulo, temos: forte queda (5,8%) no mês de setembro de 2019, perante o mesmo mês de 2018, o que faz com que, no ano, o acumulado registre 1,3% de redução nas vendas de tecidos, vestuário e calçados e, com efeito, mesmo em 12 meses a vendas sejam inferiores em 0,5%, do que foram no igual período imediatamente anterior. Só para se ter dimensão da correlação entre o desempenho do varejo e da indústria, a produção – que é prévia – de vestuário em São Paulo, até setembro de 2019, cresceu só 1,2%, mesmo com o Natal já à vista, nas lojas.

Em suma, a economia deve crescer pouco esse ano, já que o último Boletim Focus do Banco Central aponta para uma alta de somente 0,92% para o PIB de 2019 e dificilmente o varejo do setor terá desempenho superior a esse. Isto é, mantida a atual trajetória, o varejo – e a indústria como consequência – mantém-se aprisionado à mediocridade do desempenho da economia brasileira.

Há que se registrar, não é desprezível o emprenho do Ministério da Economia em promover mudanças, algumas delas relevantes, sem dúvida, para a retomada do dinamismo econômico, sem efetividade de curto prazo, contudo. Dentre elas a redução contundente da taxa básica de juros da economia. Nesse caso, tardia é verdade, porém, é certo que os efeitos benéficos dessa decisão virão mais adiante.

O que se espera, apesar disso, é que a geração de empregos e de renda disponível para consumo façam também parte da agenda governamental, com a urgência requerida. Há dúvidas sobre a efetividade das ações voltadas para esses aspectos até agora. Ao contrário, o que se tem visto são defesas efusivas, por parte de importantes escalões do governo, cada vez menos “tímidas”, em relação à “necessidade” de o Brasil fazer parte das Cadeias Globais de Valor, abrindo-se unilateralmente à concorrência mundial.

Sem dúvida, um canto da sereia sedutor e que terá, portanto, adeptos. Todavia, os efeitos para a indústria de transformação brasileira e para os todos os empregos nela ainda existentes podem ser devastadores, especialmente se as condições concorrências não forem, previamente, minimamente isonômicas, frente aos concorrentes internacionais.

MSc. Haroldo Silva – Membro do Corecon-SP

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