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Moda sem gênero. E se um dia usarmos todos a mesma roupa?

Utopia para uns, visão no horizonte de outros. Será que as modas masculina e feminina vão continuar separadas por secções? A história, a sociologia e o design ajudam-nos a prever o futuro.

A pergunta é: o que distingue a roupa de mulher e a roupa de homem? Calças e saias não são de certeza. Historicamente, a moda nem sempre se guiou assim tanto pelo género, mas durante séculos o guarda-roupa ocidental foi sendo adaptado aos papéis que homens e mulheres desempenhavam na sociedade e esses já sabemos quais eram. Se no século XX, a mulher reclamou o direito de vestir uma série de coisas, no século XXI a humanidade parece caminhar para um futuro em que todos vestimos o mesmo. Gabardinas pretas até aos pés? Macacões azuis? Não nos parece.

Provavelmente, só numa sociedade com plena igualdade de género (ou seja, em que o género não interfira em grande coisa) é que será possível fundir guarda-roupas. Enquanto isso, designers de moda, ativistas e grandes multinacionais vão tendo as suas investidas. Moda sem género não é roupa que, pela neutralidade do design, pode ser usada por homens e mulheres, é a liberdade de cada um poder usar aquilo que bem entender, sem ser alvo de juízos normativos. Parece utópico? Bem, já se vêem homens saírem à rua de saia, por isso já não falta tudo.

Uma breve aula de história

Bem, na realidade não pode ser assim tão breve, até porque é preciso retroceder uns bons séculos (milénios até) para perceber que o género nem sempre foi o principal fator de diferenciação do vestuário. Na Antiga Grécia, as túnicas usadas por homens e mulheres distinguiam-se essencialmente pelo comprimento. Eles usavam-nas mais curtas, elas uns palmos mais abaixo e cintadas com a ajuda de alguns acessórios bonitos. Sempre que fazia mais frio, a capa de lã era uma peça a que bem mais tarde, já no século XX, viríamos a chamar de unissexo. As semelhanças entre estas e as togas romanas são flagrantes. O critério para poder usá-las não era o género, mas sim a condição social. Só os homens e mulheres ditos livres saiam à rua com elas. Parece que também só as classes mais altas podiam usar certos tipos de tecido, entre eles o veludo. Aos menos afortunados restava a lã e o linho.

A evolução da túnica foi acentuando as diferenças entre o vestuário masculino e o feminino. A dos homens foi encolhendo até assumir uma forma semelhante à de uma camisa, a das mulheres manteve-se longa ditando até onde deveriam ir as saias e vestidos. A certa altura da história ocidental, houve um problema para resolver. As calças eram compostas por duas peças (mais ou menos como duas longas mangas), o que deixava uma certa zona do corpo a descoberto. Veio a coquilha (os ingleses chama-lhe codpiece) e o órgão genital masculino ficou finalmente arrumado, com a particularidade da peça poder insinuar ou falsear os atributos de quem a usasse. A este ponto, um período que ocupa o final da Idade Média e o início do Renascimento, as silhuetas de homens e mulheres eram já completamente distintas.

Fonte: observador.pt

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