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Descendentes de árabes e judeus se unem para dar nova cara ao Brás

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Empreendedores com negócios há décadas na região criaram a Fevabras, entidade com a meta de melhorar a imagem do bairro, investir em shopping centers e selar parcerias público-privadas (PPPs) para a construção de creches

O conflito entre árabes muçulmanos e judeus se estende para um bairro paulistano que concentra a maior produção e distribuição de roupas do Brasil -o Brás.

Só que, por aqui, essa tensão não envolve religião ou disputa por terras: o empresário de origem de um dos povos briga com o outro porque quer pagar o cafezinho.

É com esse espírito que descendentes de libaneses, armênios, israelenses e turcos, que possuem negócios no Brás, decidiram se unir para criar a Federação dos Varejistas e Atacadistas do Brás (Fevabras) para tentar redesenhar o bairro.

O Brás é formado por 55 ruas comerciais, dezenas de shoppings, 5 mil lojas, cerca de 10 mil lojas-boxes e 4 mil confecções. Essas empresas empregam, diretamente, não menos que 150 mil pessoas, de acordo com informações da subprefeitura da Mooca, que abrange a região.

Basta colocar a palavra Brás no buscador do Google ou a reportagem que publicamos recentemente para constatar que a imagem do bairro não é nada positiva. Há notícias de assaltos e vídeos que, na TV, mostram as ações de gangues na região.

Dono de pelo menos dez shoppings no bairro, que movimentam perto de R$ 3 bilhões por ano, um grupo de empreendedores locais quer mostrar, por meio de ações da nova federação, que o outro lado do Brás: uma potência econômica que movimenta cerca de R$ 15 bilhões por ano.

Ali são produzidas roupas e artigos para cama, mesa e banho para abastecer pelo menos 150 mil pequenos lojistas espalhados pelo país.

Estima-se que pelo menos 300 ônibus fretados chegam diariamente ao bairro. O número dobra perto de datas comemorativas, como Natal e Dia das Mães.

A região é considerada uma das maiores fabricantes e exportadoras de calça jeans da América Latina. Da produção mensal de 10 milhões de peças, 1,2 milhão seguem para o mercado externo, de acordo com a subprefeitura da Mooca.

Apesar da pior crise econômica que o país enfrenta, os comerciantes apostam que os negócios no Brás têm potencial para crescer muito mais. Só precisa de um empurrão.

O frio e o afastamento da presidente Dilma Rousseff, segundo esses empresários, já trouxeram um alívio no caixa das lojas e a sensação de que, a partir de agora, o consumo vai voltar a crescer. O estoque de peças de inverno parado há dois ou três anos já foi quase todo vendido.

 

Na quarta-feira (29/06) a reportagem do DC conversou com um dos maiores investidores em shopping centers da região e que faz parte do grupo que estimulou a formação da Fevabras.

O empresário, de origem libanesa, que prefere manter-se no anonimato, alegando questões de segurança, disse que o Brás tem a tradição de ser um bairro onde se faz bons negócios com ou sem crise.

Agora, especialmente na recessão, segundo afirma, é lá que o lojista se abastece com produtos de giro rápido, sem precisar se estocar, o que é arriscado, principalmente num período de recessão.

Com a federação, os empresários querem se fortalecer para pressionar os órgãos públicos a olhar mais para a região, principalmente em relação a quesitos como limpeza e segurança.

Os membros da Fevabras também estão dispostos a investir em eventos sociais, revitalizar praças, arrumar calçadas para que os lojistas circulem com sacolas com maior conforto e até a participar de PPPs (parcerias público-privadas) para a construção de creches.

Para este ano, já estão reservados entre R$  4 milhões e R$ 5 milhões somente para a padronização de calçadas. A diretoria da federação também decidiu revitalizar a praça que fica em frente à igreja Santo Antônio do Pari.

De acordo com os empresários, nos locais em que a Prefeitura de São Paulo entender que cabe firmar parcerias, a construção de creches, eles se mostram dispostos a participar.

“Interessa para todo mundo revitalizar o bairro, dar mais conforto para os lojistas que circulam pelas ruas, aumentar a produção, as vendas e o emprego na região”, afirma Gustavo Dedivitis, executivo que acaba de ser contratado para presidir a Fevabras.

O empresário de origem libanesa que participou da criação da federação conta que a união de confeccionistas e lojistas de várias descendências da região começou faz tempo.

Há 11 anos, oito empresários se reuniram para construir o Mega Polo Moda, um shopping center com cerca de 400 lojas especializado em venda no atacado – somente para lojistas.

O empreendimento foi tão bem-sucedido, segundo afirma, que novos sócios acabaram entrando para o grupo. Hoje, num raio de cinco quarteirões, o grupo, hoje com aproximadamente 15 empreendedores, controla dez shoppings –dois deles com inauguração prevista para o próximo trimestre.

Em todo esse período, o grupo já investiu perto de R$ 1 bilhão em shoppings no Brás. Com exceção do Mega Polo Moda, os outros shoppings operam com boxes.

São eles: New Mall (400 boxes), HD Shopping (330 boxes), All Brás (1 mil boxes), Vautier (1,5 mil boxes), Porto Brás (700 boxes), Total Brás (200 boxes) e Tiers (250 boxes).

Os dois mais recentes empreendimentos, o Galeria Pagé Brás, com capacidade para 630 lojas, e o Vautier  Premium (600 lojas), deverão ser inaugurados em outubro deste ano. Juntos, eles demandaram investimentos da ordem de R$ 450 milhões – boa parte bancada pelo grupo.

O Galeria Pagé Brás trará uma novidade para o bairro, como lojas de artigos eletrônicos, o forte da rua Santa Efigênia, além de cosméticos e bijuterias, como as que se veem na região da Rua 25 de Março. A praça de alimentação do empreendimento terá 16 opões de restaurantes e 82 vagas exclusivas para ônibus fretados.

Em época de crise, é difícil encontrar empresas de qualquer setor dispostas a injetar dinheiro em novos negócios. Esses dois empreendimentos começaram a ser construídos há um ano, quando a recessão já era evidente.

O grupo de empresários entendeu, de acordo com o empresário, que era exatamente neste momento de crise, quando os preços dos imóveis e dos materiais de construção caem, que era hora de investir.

Os lojistas diminuíram as compras nos shoppings. Mas o grupo de empresários se antecipou e decidiu dar um desconto de 10% nos preços da locação para todos os lojistas.

O sucesso do grupo de empresários da região, conta ele, tem muito a ver com disposição de juntar forças, não participar de uma concorrência predatória, como se vê em outras regiões.

Os patriarcas das famílias envolvidas no grupo, independentemente da origem, chegaram ao Brasil praticamente sem dinheiro. Aos poucos foram montando os seus negócios e crescendo com a produção, a importação ou simplesmente a revenda de roupas.

Investir em imóveis sempre foi sempre uma prática dessas famílias. Isso explica por que as áreas onde estão sendo erguidos os shoppings já faziam parte de seu patrimônio.

Dedivitis, presidente da Fevabras, conta que as reuniões com os investidores assemelham-se a um encontro de clãs. Eles fazem parte, principalmente, da segunda e da terceira geração de imigrantes que desbravaram a região. Curiosamente, a disposição deles é investir exclusivamente no bairro, mantendo a tradição.

Fonte: Diário do Comércio

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