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9,7 mil lojas de vestuário fecharam as portas no país em 2015

É o saldo de pontos comerciais que abriram e fecharam, de acordo com a consultoria Iemi. Neste ano, o faturamento do comércio de roupas em São Paulo deve regredir ao patamar de 2010

Se a falta de confiança na economia persistir, o comércio paulista de vestuário deve terminar 2016 do tamanho que estava em 2010, de acordo com projeção da Fecomercio SP.

Neste ano, o varejo de roupas, tecidos e calçados deve atingir um faturamento da ordem de R$ 46 bilhões no Estado de São Paulo, uma receita parecida com a de 2010 (R$ 45,8 bilhões).

O valor de vendas estimado para este ano também é R$ 10,7 bilhões menor do que o de 2013 (R$ 56,5 bilhões), que foi o maior já atingido pelo setor.

O encolhimento do comércio paulista de vestuário começou em 2014, quando registrou retração 4,2% no faturamento, na comparação com 2013. Com o acirramento da crise, a queda atingiu 12% em 2015, na comparação com 2014.

Do jeito que o ano começou, com o agravamento da crise política, e a ameaça de impeachment da presidente Dilma Rousseff, a Fecomercio SP prevê uma diminuição de pelo menos mais 6% no faturamento do varejo de roupas neste ano.

“É assustador. Em três anos, o comércio paulista de vestuário deve encolher 22%, voltando ao patamar de 2010”, afirma Vitor França, assessor econômico da Fecomercio SP.

Quando a crise deu sinais de que viria para valer, o consumidor parou de comprar bens mais caros, como imóveis, carros e eletrodomésticos.

COM ORÇAMENTO APERTADO, CONSUMIDOR PASSOU A COMPRAR MENOS ROUPAS

Com o aumento do desemprego, da inflação e das taxas de juros, o brasileiro passou a economizar também com roupas.

No ano passado, somente os supermercados e as farmácias e perfumarias paulistas registraram aumento real de receita, de 3,5%, na comparação com 2014. Todos os outros setores do comércio encolheram.

Com uma queda tão acentuada de receita, milhares de comerciantes de roupas não resistiram.

Com base em dados do IBGE e da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério do Trabalho, 9,7 mil lojas de vestuário fecharam as portas no Brasil ano passado.

De acordo com a consultoria Iemi (Instituto de Estudos e Marketing Industrial), especializada no setor têxtil, que levantou os dados, esse é o saldo entre as lojas que abriram e as que fecharam no período.

Como base de comparação, nos últimos dez anos esse saldo era positivo em 5,7 mil, em média. Significa que abriam mais lojas de roupas do que fechavam no país.

Das quase 10 mil lojas que encerraram as atividades no país no ano passado, a maioria é de pequeno porte, e vende peças multimarcas, de acordo com Marcelo Prado, diretor do Iemi.

Não há sinais, segundo ele, de que esse cenário se altere em 2016. O que significa que, neste ano, vai continuar fechando mais lojas do que abrindo, de acordo com Prado.

Como consequência, o comércio paulista de vestuário, que é o segundo maior empregador do varejo no Estado de São Paulo (cerca de 280 mil pessoas), depois dos supermercados (cerca de 640 mil), é um dos setores que mais têm demitido.

De acordo com o Caged (Cadastro Geral de Emprego e Desemprego), do Ministério do Trabalho, o comércio paulista de vestuário eliminou 18.254 vagas nos últimos 12 meses terminados em janeiro, o que representou 34% de todas as vagas fechadas pelo varejo paulista (53.607), no período.

“Isso está virando uma bola de neve perigosa. E não muda enquanto o país não resolver a crise política”, diz França. “Quem já foi demitido, não compra, e quem não foi dispensado, compra menos. A produção cai e as demissões aumentam.”

A indústria de confecção registra um dos maiores níveis de demissões já registrados.

Em 12 meses terminados em janeiro, 107 mil pessoas foram dispensadas nas confecções de todo o país, das quais 33 mil no Estado de São Paulo.

Somente em fevereiro passado,  quase 9 mil postos de trabalho foram eliminados nas confecções brasileiras, dos quais 1.239 no Estado de São Paulo.

“Não há perspectiva de sairmos desta situação”, diz Ronald Masijah, presidente do Sindivestuário, sindicato que reúne as confecções no país.

No acumulado dos últimos 12 meses, de acordo com ele, a produção do setor diminuiu 10,8%.

Para este ano, a expectativa é de queda de mais 15% na produção de vestuário. No ano passado, a retração atingiu 20% em relação a 2014.

“A mudança de governo é a única forma de se retomar a confiança para novos investimentos.”

Em janeiro, o varejo como um todo no Estado de São Paulo registrou uma queda de 18,1% no volume de vendas e de 8,3% no faturamento, na comparação com o mesmo mês do ano passado, de acordo com o ACVarejo, levantamento mensal do Instituto de Economia da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

“Deverá haver um aprofundamento nas quedas de vendas pelo menos até o primeiro semestre. A crise político-econômica faz com que a disposição do consumidor para comprar fique bastante comprometida”, afirma Alencar Burti presidente da Associação Comercial de São Paulo e da Facesp, federação que agrupa 420 associações comerciais do estado.

Fonte: Diário do Comércio
Por: Fátima Fernandes

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