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Câmbio favorece e exportações voltam a ter ganho de rentabilidade

A valorização cambial foi a principal responsável pelo ganho de rentabilidade geral de 5,2% nas exportações brasileiras no acumulado de janeiro a abril em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com dados da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), apenas 2 dos 24 setores pesquisados tiveram queda na rentabilidade. Extração de petróleo e gás e produtos de metal tiveram alta expressiva também em função do aumento do preço das vendas ao exterior, enquanto o desempenho significativo de têxteis e confecção foi causado por menor pressão dos custos. Para analistas, no entanto, a tendência é de maior estabilização do câmbio ao longo do ano. Por isso, eles não esperam novos ganhos adicionais para o exportador.

O ganho médio de rentabilidade só não foi maior porque houve um aumento de 3% no índice de custo das empresas. Sem as pressões oriundas de salários e insumos, entre outras despesas, a rentabilidade poderia ter crescido mais com a ajuda do câmbio. Em comparação com uma cesta de moedas, o real teve desvalorização de 8,6% no período, enquanto o índice de preço das exportações aumentou 0,9%. Juntos, e sem os custos, eles teriam dado um ganho adicional de quase 10% ao exportador. O dólar, por exemplo, saiu do patamar de R$ 1,75 em janeiro para R$ 1,90 em abril.

“Alguns setores, como bens de consumo não duráveis, são mais afetados pelo câmbio do que o extrativo, por exemplo, que possui preços cotados no mercado internacional. Como, em geral, não houve grande variação nos preços de exportação desde o fim do ano passado, a desvalorização do real é que trouxe o ganho de rentabilidade”, afirma Rodrigo Branco, economista da Funcex.

Dentro da média de 5,2%, alguns setores alcançaram percentuais bem maiores de rentabilidade no primeiro quadrimestre deste ano, ajudados pelo aumento de preços. O segmento de extração de petróleo e gás natural registrou aumento de 25,8% na rentabilidade. Esse resultado se deu pelo patamar elevado do preço internacional do petróleo, principalmente no primeiro trimestre, que fez o índice de preços de exportação ficar 19,5% maior que o do início de 2011.

O preço também explica a única queda significativa de rentabilidade, que ocorreu em extração de minerais metálicos, setor fortemente ligado ao minério de ferro. O exportador de minerais metálicos vendeu a tonelada por um preço 14,5% menor do que no ano passado, derrubando a rentabilidade em quase 12%.

O aumento de custo de 3% foi disseminado entre os setores. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sugerem que parte expressiva dessa alta está relacionada ao aumento das despesas com mão de obra. No primeiro quadrimestre deste ano, a folha total de salários da indústria ficou 3,8% mais cara que em igual período do ano passado. Em segmentos como produtos têxteis e de confecção, ao contrário, a folha total de pagamentos encolheu 1,6% e 2%, respectivamente, na mesma comparação. Para vestuário, a economia foi resultado da desoneração da folha feita pelo governo no início do ano e da diminuição no número de funcionários.

A economia com salários nesses dois setores pode ter influenciado no menor aumento de custos: ele subiu 1% para a indústria têxtil e caiu 0,6% nas confecções. Custos que subiram menos e aumento de preços fizeram a rentabilidade desses dois setores superar dois dígitos neste começo de 2012.

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